Autocuidado e Resiliência

Resiliência – Todos podemos lidar com situações desafiantes

Ouvimos a palavra resiliência em todo o lado. A resiliência tornou-se uma espécie de “super-poder”, que todos queremos ter, mas nem todos sabemos bem o que é.

A palavra resiliência tem sido usada para descrever as pessoas e os sistemas que conseguem superar experiências negativas, re-organizar-se para responder a alterações que acontecem – persistindo, adaptando-se ou transformando-se. O nosso corpo é resiliente, uma floresta ou uma cidade também são resilientes.

Como é que a resiliência nos pode ajudar a viver numa realidade em constante mudança? Como é que nos pode ajudar a ultrapassar as adversidades que surgem na nossa vida – a perda de emprego, uma doença, uma separação ou a morte de alguém de quem gostamos, por exemplo.

A resiliência não é uma solução mágica nem um “super-poder”. Não é algo que se ganhe ou que se encontre em qualquer lado para nos resolver um problema. A resiliência faz parte daquilo que somos. É a nossa capacidade para lidar melhor com o stresse das situações difíceis e a aproveitarmos as coisas boas da vida, mesmo quando há aspectos que correm mal. Continuamos a sentir-nos zangados, a estar tristes ou a sofrer, a sermos vulneráveis, mas somos capazes de continuar a funcionar no dia-a-dia e a fazer coisas que nos dêem prazer, mantendo o nosso equilíbrio.

A resiliência desenvolve-se e constrói-se ao longo da nossa vida, pode mudar ao longo do tempo e em função do contexto e da situação em que estamos. A resiliência cresce quando temos oportunidade de conhecer e ultrapassar desafios e os limites que às vezes impomos a nós próprios.

Há um conjunto de comportamentos, muitos dos quais nós adoptamos sem sequer pensar neles, que são facilitadores da resiliência. Por exemplo:

Com familiares e amigos, com pessoas que nos acompanhem e apoiem nos dias bons e nos menos bons, que nos ajudem a pensar e a lidar com os nossos desafios. E construir relações mais alargadas, com a nossa comunidade, participando em actividades de voluntariado, por exemplo. O apoio que sentimos e damos aos outros é um dos principais alimentos da resiliência.

O que nos vai acontecer amanhã é sempre imprevisível. Podemos ser atropelados ao atravessar a passadeira, receber uma proposta de emprego ou encontrar o amor da nossa vida. Não sabemos.

Fazer coisas que, diariamente, dão sentido à nossa vida. Não precisam de ser coisas espectaculares, bastam ser coisas que façam o nosso dia valer a pena: entregar um projecto importante, beber um café com um amigo, levar o nosso filho ao parque e vê-lo brincar, ler um livro ou fazer um concerto no banho.

Todos nós já passamos por momentos difíceis – e já os ultrapassámos. Como podemos adaptar essas experiências aos desafios actuais?

Respeitar as nossas rotinas de sono e descanso, manter uma alimentação saudável, fazer exercício regularmente. Envolvermo-nos em actividades de lazer e hobbies que nos dêem prazer.

Prestar atenção aos nossos sentimentos e necessidades (e aceitá-los ainda que nem sempre sejam bons!). Recorrer ao humor sempre que possível – rir diminui o stresse! Não perdermos de vista os aspectos mais positivos da nossa vida, e valorizar aqueles que gostam de nós. Respeitarmo-nos e aos outros e termos orgulho naquilo que somos e fazemos.

Não somos sempre resilientes, nem somos resilientes em todas as situações. Mas podemos procurar desenvolver sentimentos, pensamentos e comportamentos (mais) resilientes.

Por exemplo, perante um problema concreto, podemos:

  • Encarar os problemas como obstáculos ultrapassáveis, em vez de os classificar como inultrapassáveis ou demasiado difíceis. Muitas vezes não podemos alterar uma situação difícil ou um problema, mas podemos sempre alterar a forma como interpretamos e como respondemos a essa situação ou problema. Em vez de catastrofizar, manter uma perspectiva realista e, se necessário, pedir ajuda.
  • Ser proactivo. Encarar os problemas e as situações difíceis, agindo sobre elas, é mais útil do que tentarmos ignorá-las ou nos deixarmos vencer por elas. Se o problema parecer grande demais, podemos tentar dividi-lo em pequenas partes ou tarefas a resolver. O caminho faz-se caminhando, passo a passo.
  • Definir objectivos. Manter um pensamento flexível, ajustável ao que for acontecendo, mas não perder de vista os nossos objectivos (que devem ser específicos e realistas).
  • Confiar em nós próprios. Confiar nas nossas capacidades para lidar com a situação, estabelecendo um plano realista e recordando as situações que ultrapassámos anteriormente.

Os Pais e os Cuidadores também podem promover a resiliência das crianças e jovens simplesmente por lhes proporcionarem relações de afecto, confiança e aceitação; oportunidades de autonomia, permitindo-lhes mostrarem-se responsáveis; e regras e rotinas claras (e apoio para as cumprir). Os Pais e Cuidadores são os modelos das crianças – as crianças podem imitar comportamentos resilientes (como a gestão emocional de uma situação, a resolução de um problema, assumir riscos controlados, cometer erros e aprender com eles ou ter uma atitude confiante e optimista).

Tornarmo-nos mais resilientes (na nossa vida pessoal ou profissional) requer tempo e prática, tentativa e erro. Se não sabe por onde começar ou sente que precisa de ajuda, um Psicólogo pode ajudar.

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