Literacia e Saúde Financeira

Se queremos falar de literacia financeira, é preciso começar por explicar que a Educação Financeira constitui um desafio financeiro e social com repercussões significativas nos indivíduos, famílias e comunidades. Tem-se tornado, nas últimas décadas, progressivamente mais importante, enquanto meio de promover a consciencialização da população face aos desafios impostos pela crise económica, o aumento do consumismo e a complexidade da oferta de produtos financeiros disponíveis.

Embora a OECD (2012) considere a Literacia Financeira como uma competência de vida essencial na sociedade moderna, a população em geral tem pouco conhecimento sobre o funcionamento das dinâmicas económicas e, muitas vezes, a educação financeira proporcionada pelas famílias não é a mais adequada para que as crianças e jovens desenvolvam conhecimentos e comportamentos financeiros saudáveis, assim como hábitos de consumo adequados.

A Psicologia e os Psicólogos, enquanto especialistas no comportamento humano, têm um papel essencial na Literacia Financeira.

A crise financeira não assusta só os adultos. Os jovens também se podem preparar para lidares com ela; 

Palavras como inflação, crise e desemprego não passam despercebidas. Geram medo em relação ao futuro dos jovens e das suas famílias; 

A educação financeira é determinante para ajudar os mais jovens a compreender e a planear decisões financeiras, prevenindo assim situações de risco financeiro. 

Consulte o portal Todos Contam para mais informações sobre educação financeira. O programa de atividades da Semana da Formação Financeira está disponível aqui.

Outros Recursos:

Como usar a mesada para promover a literacia financeira nas crianças e adolescentes?

Pais, mães e cuidadores/as podem conversar diariamente sobre questões relacionadas com dinheiro para ajudar as crianças a compreender, gerir e tomar decisões sobre as suas finanças, a mesada é uma boa forma de o fazer. Aliás, estas conversas são um dos passos mais importantes para o desenvolvimento da literacia financeira e de comportamentos financeiros saudáveis.

Muitos pais, mães e cuidadores/as perguntam-se se devem ou não dar uma mesada/semanada ou a partir de que idade o devem fazer. Não existe uma resposta certa para todas as famílias, cada abordagem pode ter vantagens e desvantagens

Na realidade, é preciso sublinhar que a discussão não deve incidir apenas em dar, ou não, mesada, mas, acima de tudo, em como ensinar as crianças e jovens a pensar sobre dinheiro. E isso significa ajudar as crianças e adolescentes a compreender que o dinheiro envolve escolhas, prioridades, tempo, objetivos e valores. No dia a dia, isto pode acontecer quando falamos sobre o que é necessário e o que é extra, quando explicamos porque é que a nossa família escolhe gastar numa coisa e não noutra, quando planeamos compras, quando poupamos para um objetivo e quando mostramos que nem tudo o que é importante na vida se compra.

Contudo, a mesada também pode ser uma boa ferramenta educativa quando é acompanhada de conversa, liberdade e supervisão. Pode ajudar a desenvolver competências de planeamento, poupança, definição de prioridades e autocontrolo.

Com uma mesada, em vez de a criança/adolescente pedir dinheiro sempre que necessita ou quer alguma coisa, depara-se com algo mais desafiante: fazer escolhas.

  • Escolher gastar o dinheiro agora ou esperar.
  • Escolher poupar para um objetivo.
  • Escolher partilhar/doar o dinheiro.
  • Escolher e aprender com os resultados das escolhas.

Uma boa altura para começar a dar mesada é, geralmente, quando a criança já compreende operações simples de soma e subtração (por volta dos sete anos). Antes disso, é possível trabalhar o tema do dinheiro através de brincadeiras (por exemplo, jogos de loja/mercearia), ajudando a desenvolver noções de comprar, escolher ou verificar o troco.

O valor a atribuir a uma mesada está dependente de fatores como a maturidade da criança/adolescente, objetivo da mesada, despesas que se pretende que cubra e possibilidades financeiras da família. Assim, mais relevante do que o valor da mesada, é o que a criança vai aprender com ele. Isto é, uma quantia pequena, acompanhada de orientação, pode ser mais útil do que uma grande quantia sem acompanhamento.

O dinheiro pode ser transferido de diferentes maneiras. Para crianças, o dinheiro físico costuma ser a melhor opção, porque o torna mais concreto. O facto de as crianças conseguirem ver quanto têm, quanto gastam e quanto sobra, pode ser um facilitador das aprendizagens. Na adolescência, pode fazer sentido introduzir soluções digitais (por exemplo, um cartão pré-pago que permita programar as transferências da mesada), com supervisão de uma pessoa adulta. Esta opção possibilita a aquisição de competências na gestão de dinheiro eletrónico, tal como na consulta de saldos e despesas.

Para que a mesada contribua para a literacia e saúde financeira das crianças e jovens, podemos ajudar se:

  • Definirmos limites claros. É importante explicar para que serve a mesada (por exemplo, é apenas para pequenos extras ou também deve garantir a alimentação na escola durante o mês) e o que continua a ser pago pelos cuidadores/as (por exemplo, escola, , roupa essencial). Além disso, também é útil definir limites sobre finalidades para as quais o dinheiro não pode ser utilizado (por exemplo, comprar produtos prejudiciais à saúde, tais como cigarros ou álcool).
  • Mantivermos a consistência. Entregar a mesada de forma regular ajuda a criança/adolescente a antecipar, planear e organizar-se. Se nos esquecermos, não faz mal. O fundamental é retomar a rotina. Ou seja, consistência é mais importante do que “fazer tudo perfeito”.
  • Não associarmos a mesada às tarefas de casa ou escolares. Participar nas tarefas da casa faz parte de viver em família. As tarefas domésticas são uma responsabilidade familiar e ajudam a desenvolver sentido de responsabilidade, cooperação e reciprocidade. Da mesma forma, realizar as tarefas escolares é um dever das crianças e jovens. Se a mesada estiver sempre associada a tarefas, pode correr-se o risco de a criança/jovem pensar “Já tenho o dinheiro que queria, por isso não vou fazer” ou “Se não recebo, então não faço”.
  • Ajudarmos a dividir a mesada em categorias. Podemos ajudar as crianças/jovens a dividir a mesada em diferentes frascos/caixas/envelopes, distribuindo-a por quatro categorias:
    > Gastar. É o dinheiro que a criança/adolescente pode usar para pequenas compras ou escolhas imediatas. Quando acabar, acabou.
    > Poupar. Em conjunto, podemos definir com a criança/jovem um objetivo para o dinheiro (por exemplo, um brinquedo, livro, ida ao teatro ou viagem) e ajudá-la a atingi-lo.
    > Solidariedade. Uma parte do dinheiro pode ser direcionada para ajudar alguém, contribuir para uma causa ou fazer um gesto solidário.
    > Investir. Com crianças mais velhas ou adolescentes, esta categoria pode servir para falar sobre o futuro, poupanças a longo prazo e noções básicas de investimento com acompanhamento de uma pessoa adulta.
  • Conversarmos sobre escolhas. Dentro dos limites definidos, a criança/jovem vai decidir como usar o seu dinheiro. É assim que aprende a escolher. Mesmo comprar algo e depois perceber que não valeu a pena pode ser uma experiência valiosa. Ou seja, errar com pequenas quantias é uma forma segura de aprender e, nestas situações, os pais, mães e cuidadores/as podem ajudar a refletir sobre as decisões tomadas e a planear melhor para a próxima vez.

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