Estou Desempregado

As minhas Competências e Aptidões – quais são e em que são úteis?

As aptidões constituem áreas de raciocínio e desempenho que cada pessoa poderá desenvolver. Ainda que cada pessoa tenha maior potencial de desenvolvimento de algumas competências, todas poderão beneficiar de treino (e por isso não são “estanques” toda a vida – temos poder para desenvolver as nossas aptidões). 

As competências são a nossa capacidade para fazer algo bem, a facilidade com desempenhamos determinada tarefa, ou o modo como aplicamos de forma eficaz o nosso conhecimento. Podemos ter competências técnicas, ou seja, que são dependentes do conhecimento específico de determinada profissão ou área de trabalho (ex., manutenção de redes informáticas; utilização de software CRP; costura; análise de dados SEO), e podemos ter competências transversais, ou seja, que não são específicas de uma determinada profissão ou área de trabalho (ex., comunicação interpessoal; criatividade; negociação).

De acordo com o Fórum Económico Mundial, as 10 competências mais valorizadas pelo mercado de trabalho estão sempre a evoluir, e em 2025 são:

1) Pensamento analítico e inovação;
2) Aprendizagem activa e estratégias de aprendizagem;
3) Resolução de problemas complexos;
4) Pensamento crítico e análise;
5) Criatividade, originalidade e iniciativa;
6) Liderança e influência social;
7) Utilização da Tecnologia, monitorização e controlo;
8) Design e programação de tecnologia;
9) Resiliência, tolerância ao stresse e flexibilidade;
10) Argumentação, Resolução de Problemas e Criação de Ideias.

Como é possível observar, grande parte destas competências (ou todas elas, dependendo da perspectiva) são transversais. E, conforme já se referiu, todas estas competências podem ser desenvolvidas

Daí que seja muito importante REFLECTIR e pensar no que são as competências que se possui. No fundo, pense “quais são os meus talentos”? E as suas competências e aptidões não têm apenas a ver com o mundo do trabalho; também se relacionam com a sua vida pessoal e familiar, com os seus passatempos e actividades de lazer.

Por exemplo: 

O Luís trabalhou durante vários anos num call-center e, nos últimos anos, desempenhava funções como supervisor de equipa.  Actualmente está desempregado. Ao pensar nas suas aptidões, o Luís identificou as seguintes:

  • Liderança – supervisionei uma equipa de 15 pessoas durante X anos, tendo como responsabilidades, entre outras, a gestão de turnos, a avaliação de desempenho dos colegas, e a gestão da qualidade do serviço prestado.
  • Comunicação e Persuasão – tenho boas competências de argumentação e comunicação, tendo bons resultados na resolução de reclamações de clientes (X% de reclamações resolvidas com sucesso)
  • Boas competências de condução de veículos ligeiros da categoria A – durante X anos trabalhei em regime de part-time como estafeta e tenho experiência em conduzir motas em horas de ponta em estradas movimentadas. Nunca tive nenhum acidente e cumpria com os tempos previstos de entrega.
  • Criatividade e Boa Expressão escrita – nos meus tempos livres costumo escrever num blog sobre a minha cidade.

É desafiante, mas quanto mais investir nesta reflexão, mais útil pode ser a informação que reúne sobre si.

Um dos pontos importantes é conseguir identificar as suas competências que o podem melhor diferenciar da sua “competição”, ou seja, sabendo que para cada oportunidade de emprego poderá estar a concorrer com muitos outros candidatos, que competências possui que são realmente reveladoras da excelência da sua colaboração? Desse modo, poderá facilitar a forma como o recrutador faz a avaliação da mais-valia de o contratar a si.

Identificar interesses

Os interesses são as actividades, ou grupos de actividades, que apreciamos, que gostamos de fazer com alguma frequência. Todas as pessoas têm interesses e, ao longo da vida, eles tendem a manter-se: aquilo que nos interessa geralmente é um interesse nosso durante toda a vida; por outro lado, aquilo que nos interessa menos às vezes é devido a não ter sido ainda explorado, e poderá vir então a desenvolver-se aí um novo interesse.

Por exemplo: “A Graça gosta de escrever (quer como actividade de lazer, quer no âmbito do seu trabalho, como jornalista). Tinha um baixo interesse por negociação e persuasão, até ter sido confrontada com a necessidade de participar num debate em que ia defender os seus pontos de vista e foi algo de que gostou bastante; actualmente assume ter interesse por esta área, decidindo até participar num clube de debate da sua zona de residência.”.

Os interesses acabam por também estar bastante relacionados com as nossas aptidões e competências, pois quando maior o interesse que temos por algo, maior é a tendência para que dediquemos tempo e esforço a praticar esse tipo de actividades. Ora se a prática facilita o desenvolvimento de aptidões e competências, tem-se aí uma relação. Para além disso, se os interesses se podem desenvolver através da experimentação, então tem-se a possibilidade de se desenvolver interesse pelas actividades a que somos chamados a desempenhar profissionalmente e na vida pessoal.

Qual a importância de se REFLECTIR sobre os interesses? Porque assim ficamos mais auto conscientes, podemos descobrir o que mais valorizamos e o que nos pode deixar mais satisfeitos e comprometidos no trabalho que fazemos. No que toca ao PLANEAR a nossa pesquisa de emprego, estarmos cientes do que mais gostamos é importante, pois num cenário ideal poderemos estar a trabalhar em algo que também nos dá prazer.

Existem inúmeras formas de agrupar interesses e encontrará online algumas dessas listagens. Como ponto de partida sugerimos que escreva tudo o que gosta de fazer (tudo mesmo, esteja relacionado com o trabalho ou não). Depois tente organizar essas actividades por áreas e dar-lhes um nome. Note que não é particularmente relevante o produto final desta REFLEXÃO, mas sim todo o processo de pensar sobre si e acabar por estar mais consciente