Estou Desempregado

Ferramentas de Comunicação

Estamos sempre a comunicar, e tenha consciência de que mesmo quando não comunicamos activamente estamos a passar uma mensagem. Desse modo, vai querer preparar cuidadosamente a forma e o conteúdo da sua comunicação com os outros da melhor forma nesta pesquisa de emprego.

Pitch

Pitch é um termo que vem de “elevator pitch” (numa tradução livre: “apresentação no elevador”), pois constitui uma breve apresentação ensaiada, mas feita de forma natural, que hipoteticamente pudesse ser feita durante uma viagem de elevador. Ou seja, imagine que entra no elevador com o seu potencial empregador e tem aí a oportunidade de, durante a brevíssima viagem de elevador, se apresentar, deixar uma boa primeira impressão e deixar informação do que pretende.

O pitch pode ser oral ou escrito:

  • O pitch oral consiste em verbalizar oralmente a sua mensagem. Geralmente utiliza-se o pitch oral em entrevistas de emprego, em apresentações sociais, em reuniões. Dependendo do contexto poderá ou não ter o suporte de uma apresentação PowerPoint (ou outra).
  • O pitch escrito utiliza-se sob a forma de texto, habitualmente numa carta de apresentação, no corpo do e-mail em que estamos a fazer uma candidatura, noutra comunicação escrita de apresentação (tal como na mensagem de apresentação no LinkedIn).

Apesar de ser importante que o pitch seja fluido, soe natural e até algo espontâneo, a realidade é que deve ser uma ferramenta bastante bem pensada e preparada. Ainda que possa ter elementos de personalização que irá adaptar a cada situação, a base a partir da qual parte é comum.

O seu pitch será diferente também consoante a função a que se destina: pode ser de autopromoção (ou seja, para se apresentar, para falar de si), ou de promoção de um projecto (se a sua comunicação está centrada num projecto seu).

A sua dimensão depende do tempo que tem, em cada ocasião, para se apresentar. Pode preparar um pitch para 1, 3 ou 5 minutos (se considerarmos um pitch oral), com cinco ou apenas um “diapositivos” (no caso de apresentações orais com o suporte de PowerPoint), com apenas um parágrafo ou em meia página (se for por escrito).

Num pitch de autopromoção (isto é, para falar sobre si), com a duração de 5 minutos, pode, por exemplo, organizar o tempo da seguinte forma:

  • 1 minuto e meio para se identificar brevemente e depois referir a sua experiência profissional mais relevante. Seleccione bem o que se adequa à situação específica em que está – não se esqueça que personalizar é fundamental. Dê exemplos concretos que ajudem quem o ouve a perceber o tipo de competências que tem e os resultados que alcançou.
  • 1 minuto e meio para se referir à sua formação profissional mais relevante.
  • 1 minuto para fazer alusão a aspectos sociais ou pessoais, que dêem a conhecer a pessoa que é e alguns traços de personalidade que possam ser valorizados
  • 1 minuto para concluir dando conta de alguns interesses, competências ou aspectos que o diferenciam.

Carta de Apresentação e Motivação

Tal como os CVs, as cartas de apresentação e motivação não apresentam um modelo único que deva ser utilizado na resposta a todos os anúncios ou candidaturas espontâneas. As cartas de apresentação e motivação devem ser sempre personalizadas considerando o destinatário. 

Ao elaborar a sua carta de apresentação deve garantir que a mesma responde a três questões:

1) Porquê aquela entidade;

2) Porquê você;

3) O que vão ganhar consigo.

Muito embora a resposta a anúncios de emprego ou apresentação de candidaturas espontâneas se faça maioritariamente on-line, algumas empresas na apresentação do anúncio solicitam o envio de carta de apresentação ou carta de motivação. Caso não solicitem, na redacção do e-mail que direcciona à entidade, com o envio do seu CV ou candidatura espontânea, deverá responder às três questões acima apresentadas. Não se esqueça que, desta forma, antes mesmo da entidade abrir o seu CV (em anexo), terá a oportunidade de perceber o que o levou a candidatar-se à entidade, percepcionar a sua proposta de valor e o seu diferencial, não perca a oportunidade de passar essa informação.

Entrevistas de emprego

A entrevista de emprego é um passo importante na procura de emprego, pois é resultado dos nossos esforços e é a oportunidade para mostrarmos o que temos para contribuir para a vaga de emprego em questão.

Preparar a Entrevista. Ainda que seja muito importante que tenha uma postura de genuinidade e alguma descontracção, preparar estes momentos é fundamental.  É a altura para rever os comportamentos e atitudes mais adequadas à circunstância e treinar a resposta a algumas questões que são mais prováveis (e é aqui que também é importante todo o autoconhecimento em que investiu anteriormente). 

Algo para recuperar e ter “à mão” é o CV que utilizou nesta candidatura, e o texto do “anúncio” a que respondeu (se for esse o caso) – será o CV que o seu entrevistador terá à frente e a partir do qual lhe colocará questões. Por outro lado, deve ter presente qual a função para a qual está a ser entrevistado, que competências são valorizadas.

Tenha consciência que entrevistador e entrevistado têm uma “agenda” própria e distinta: o entrevistado (você!) quererá “vender” a sua colaboração, demonstrar competência, ser diferenciador, conhecer mais detalhes sobre este emprego, mostrar o seu potencial e adequação e convencer; o entrevistador pretende aprofundar as informações que consultou no CV, relacionar o perfil procurado ao do entrevistado, recolher informação acerca das competências, aptidões, comportamentos, atitudes, traços de personalidade, o potencial, etc. 

Leve pensada uma resposta para uma série de questões que muito frequentemente são feitas em contexto de entrevista:

  • Fale-me sobre si. / O que pensa sobre si?”. É uma óptima ocasião para colocar em prática um pitch de autopromoção de 3 ou 5 minutos. Evite o auto-elogio, utilize a opinião dos outros para fundamentar a sua e percorra os vários contextos da sua vida (profissional, formativo, social e pessoal – com maior enfâse nos dois primeiros).
  • Fale-me em pormenor desta experiência profissional/formação/actividade, …”. Reveja o seu CV e esteja preparado para responder a esta questão quando dirigida a qualquer experiência. Dê exemplos de situações e acções e se tiver um portefólio online ou físico pode utilizá-lo como forma de exemplificar algo relacionado com a experiência.
  • Porque está desempregado?”. Em caso algum deve atribuir culpas a algo ou alguém ou deve ter um discurso negativista. Não prolongue este tema mais do que necessário para responder à questão assertivamente. 
  • O que tem feito como procura de emprego?”. Não passe uma mensagem de desespero nem que está a fazer uma procura indiscriminada. Demonstre que a procura é consciente, criteriosa, focada e assertiva.
  • Porque quer vir trabalhar para esta empresa? / O que sabe acerca da empresa?”. Demonstre conhecimento acerca da empresa, da sua realidade, projectos, etc. Seja capaz de fazer uma relação clara entre o seu perfil e os valores/missão/objectivos da empresa. Passe a mensagem que é efectivamente naquela empresa que quer trabalhar e que não quer “só” trabalhar.
  • Como ocupa os seus tempos livres?”. Quem não tem tempos livres pode ser interpretado como uma pessoa que não sabe gerir o seu tempo ou que está demasiado sobrecarregado. É importante utilizar actividades que realiza mas que indiciem competências, aptidões ou interesses importantes para a função ou identidade da empresa. 
  • Quais os seus objectivos? (a 6 meses/1 ano/5 anos)”. Devem ser objectivos realistas, devem estar em linha com a continuidade naquela organização, manifestar vontade de evoluir e referir o que querem ou vão fazer para que consigam merecer a confiança e o reconhecimento da organização para possíveis “evoluções” profissionais.
  • Qual a remuneração que pretende/espera?”. Não fuja à resposta; na grande maioria dos casos a sua resposta não deverá alterar a remuneração que já está definida para o cargo em causa. Esta questão serve para aferir se o candidato está enquadrado com a realidade. Valores muito baixos podem ser interpretados como falta de competência ou inexperiência no ramo e valores muito elevados interpretado como uma elevada probabilidade de frustração futura com a remuneração a auferir. Procure investigar antecipadamente quanto “vale” determinada função numa determinada região e num determinado tipo de organização. 
  • Quais as suas qualidades e defeitos (pontos fortes e fracos ou a melhorar)?”. Uma resposta demasiado pronta passa a mensagem de que a resposta a esta questão está ensaiada e que pode não ser fiel, por isso pondere a forma como responde. Não diga que não sabe qualidades ou defeitos pois isso pode ser interpretado como falta de autoconhecimento, falsa modéstia ou como uma tentativa de ocultar algo. Sempre que possível e verdadeiro as qualidades devem estar directamente relacionadas com a função a desempenhar e os defeitos não directamente relacionados. As qualidades devem ser acompanhadas de um exemplo real onde estas se tenham manifestado. Os defeitos devem estar acompanhados de uma justificação em como estes são contornáveis ou estão em fase de resolução. Evitar falsos defeitos ou lugares comuns (perfeccionista, demasiado prestável, teimoso, …).
  • Gosta de trabalhar individualmente ou em grupo?”. Adapte a resposta ao que a função exige, sem fugir à sua realidade. Dê exemplos e saliente o que gosta mais e não o que não gosta ou gosta menos. Importa ser capaz em ambas. 
  • Qual é a sua disponibilidade?”.  Refira vários tipos de disponibilidades, tendo em conta a realidade que lhe é apresentada (ex., disponibilidade para começar, de tempo, rotatividade de horários, flexibilidade de horários, deslocação, trabalho a partir de casa, fins de semana, “pós-laboral”, etc). 
  • O que o atrai neste emprego?”. Mais uma vez tem oportunidade de demonstrar conhecimento da empresa (que já tinha e que adquiriu na entrevista até então) e de relacionar o seu perfil com o perfil que procuram para a função em questão. 
  • Que mais-valias tem em relação aos outros entrevistados?”. Encontre o seu ponto de diferenciação dos demais. Podem ser experiências profissionais ou alguma formação específica que lhe dá determinada competência, podem ser características pessoais que são importantes para a função, pode ter a ver com questões geográficas ou de disponibilidade, ou mesmo a sua forte motivação.
  • Qual o seu estilo de trabalho?”. O mais importante é ligar as suas reais características de acção profissional (apenas profissional) às necessidades implícitas na função a desempenhar ou organização.
  • Quer colocar alguma questão?”. Ao colocarmos questões estamos a demonstrar interesse, valorização da oferta e proacctividade. Podemos colocar questões relacionadas com horários, dress code, local de trabalho, equipa, chefias directas e indirectas, remuneração e regalias, etc. 

Durante a entrevista, há uma série de comportamentos a evitar (e que, acredite, são bastante comuns – daí que a preparação seja fundamental para ter uma prestação exemplar):

  • Esquecer de fazer uma saudação (“bom dia”, “boa tarde”)
  • Chegar demasiado cedo ou tarde
  • Entrar ou sentar sem convite
  • Não manter contacto visual
  • Fixar o olhar
  • Postura muito diferente do entrevistador
  • Ser muito diferente na aparência em comparação com os trabalhadores da organização
  • Não colocar questões ao entrevistador (em momento adequado)
  • Identificar competências (auto-elogio) sem dar exemplos concretos
  • Responder “à pressa”
  • Divagar
  • Não pedir para repetir uma questão que não compreendeu e tentar adivinhar
  • Apontar pontos fracos sem apresentar que este está resolvido ou em fase de resolução
  • Cortar a palavra ao entrevistador
  • Inquietude
  • “Brincar” com objectos
  • Dizer mal de algo ou alguém
  • Discurso negativista
  • “Mendigar” trabalho
  • Não conhecer bem a organização/cargo/realidade/região/…
  • Não conhecer bem o seu CV
  • Apresentação descuidada (roupa, mãos, unhas, barba, cabelo, …)