Guia Para os Media

Recomendações Relativas à Colaboração entre Psicólogos e os Media

Ao colaborar com os Media, os Psicólogos devem, no respeito pelo Código Deontológico, seguir um conjunto geral de boas práticas:

Respeitar a autonomia, dignidade e privacidade dos visados:

  • Trabalhar com base no consentimento informado;
  • Advogar o direito de resposta;
  • Observar as melhores práticas de privacidade, confidencialidade e anonimato, na ausência do consentimento informado ou em caso de claro superior do interesse público;
  • Abster-se de comentários públicos sobre o comportamento ou psicologia de indivíduos identificáveis onde possa existir risco de ofensa, sofrimento ou outros danos;
  • Considerar os potenciais efeitos sobre terceiros (por exemplo, familiares ou colegas de colaboradores);
  • Recomendar cautela na utilização de material ou arquivos que envolvam descrições de trauma emocional, doença, morte, sofrimento ou revelações de natureza pessoal, bem como a necessidade de consentimento para a reutilização de tal material ou material fornecido por terceiros;
  • Defender pela protecção dos direitos de pessoas vulneráveis.

Manter padrões elevados de qualidade profissional:

  • Manter padrões elevados de conhecimento e divulgação da evidência científica;
  • Defender a cobertura de uma ampla gama de pontos de vista e fomentar o debate;
  • Recomendar a avaliação ética de todas as situações;
  • Evitar comentários, opiniões ou conselhos para além da sua competência profissional;
  • Manter padrões elevados de prática profissional e a garantia de supervisão adequada e/ou apoio de colegas;
  • Respeitar o dever de confidencialidade para com os clientes;
  • Garantir a correcta referenciação do seu título profissional nas produções em que participam.

Ser socialmente responsáveis:

  • Reconhecer que os Media têm um enorme potencial de influência social;
  • Considerar os possíveis riscos e procurar minimizá-los, maximizando os benefícios.

Para que esta colaboração seja o mais frutífera possível, sugerimos ainda algumas recomendações:

  • Embora o papel da Psicologia nos Media seja muito diversificado, a maior parte das pessoas conhece apenas a sua face mais visível – aquela que corresponde às opiniões emitidas por Psicólogos que publicam livros ou aparecem como especialistas convidados em programas de televisão e rádio. Contudo, nalguns casos, parte do que é dito não tem fundamentação científica. Alguns destes “especialistas” podem não ter os conhecimentos, as competências ou a experiência necessária para se pronunciar sobre determinados temas e alguns nem estão devidamente credenciados (ou seja, não estão inscritos na Ordem dos Psicólogos Portugueses e, por isso, legalmente não podem intitular-se como Psicólogos). Face a esta realidade, é fundamental que os Psicólogos que colaboram com os Media sejam Membros Efectivos da Ordem dos Psicólogos Portugueses e tenham conhecimentos e experiência sobre a temática em causa;
  • Os Psicólogos podem prestar serviços de consultadoria junto dos Media, por exemplo, sobre conteúdos de programas de informação, estratégias para desenvolver a criatividade e a motivação ou a gestão do stresse. Podem ainda colaborar na cobertura de acontecimentos mediáticos que possam ter impacto no público utilizando conhecimentos específicos sobre intervenção na crise e em situações de emergência;
  • Algumas das teorias ou conceitos psicológicos são, muitas vezes, indevidamente utilizados nos Media ou reduzidos a ideias simplistas de “senso comum”. No entanto, os Psicólogos conhecem e utilizam a linguagem adequada para abordar problemas relacionados com a Saúde Psicológica. Os Psicólogos asseguram-se de que os termos técnicos são utilizados correctamente. Deste modo, para evitar ideias pré-concebidas e estereótipos estigmatizantes, os Psicólogos podem desempenhar um papel de valor ao desenvolver orientações sobre a comunicação de determinados temas (como a Saúde Psicológica, a violência, as minorias, a orientação de género, etc.) que se baseiem nos resultados da investigação psicológica e possam servir como guias orientadores dos Media;
  • Os Psicólogos estão preparados para abordar correctamente as temáticas relacionadas com a Saúde Psicológica ou aquelas em que uma abordagem psicológica é relevante, respeitando aquele que é o seu Código Deontológico. Por exemplo, os Psicólogos devem assegurar questões relacionadas com a privacidade e a confidencialidade, garantindo o bem-estar, a segurança e a integridade das pessoas com problemas de saúde psicológica. De acordo com o Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, os Psicólogos devem defender e fazer defender o sigilo profissional, exigindo sempre o respeito pela confidencialidade e colocando a sua capacidade ao serviço do interesse público. Os Psicólogos têm a obrigação de assegurar a manutenção da privacidade e confidencialidade de toda a informação e respeito do seu cliente, obtida directa ou indirectamente, incluindo a existência da própria relação. Especificamente, as declarações públicas prestadas nos mais diversos âmbitos, incluindo programas de rádio e televisão, devem pautar-se no mais estrito respeito das regras deontológicas da profissão. Quando são solicitados a comentar publicamente casos particulares, os Psicólogos devem pronunciar-se apenas sobre os problemas psicológicos em questão mas não sobre os casos em específico. Desta forma, os Psicólogos devem explicar e clarificar estes padrões éticos quando colaboram com os Media e estes, por sua vez, devem procurar conhecê-los e respeitá-los.