Dimensões do envelhecimento saudável e bem-sucedido
O envelhecimento saudável e a forma como envelhecemos decorre da forma como nos desenvolvemos, dos comportamentos e escolhas que fazemos ao longo da vida e dos contextos onde ocorrem.
Correspondendo à ideia de que não se deseja apenas uma vida mais longa, mas uma vida com qualidade de vida, surge o conceito de envelhecimento saudável e bem-sucedido. A OCDE entende-o como a capacidade de manter uma vida produtiva na sociedade e na economia. Isto é, à medida que se avança em idade, repartindo autonomamente o tempo de vida entre atividades de aprendizagem, trabalho, lazer e cuidados aos outros. A OMS destaca os aspetos funcionais e qualidade de vida através da otimização das possibilidades de saúde, participação e segurança. Já a Comissão Europeia enfatiza a educação ao longo da vida e o prolongamento da vida ativa.
O envelhecimento saudável e bem-sucedido depende da capacidade que os adultos têm de adaptação às circunstâncias. Que passa por manter os cidadãos ativos e satisfeitos a todos os níveis, levando-os a um contínuo investimento e não desinvestimento na vida e no seu desenvolvimento.
O envelhecimento e a Segurança, Habitação e Mobilidade
A segurança pessoal e financeira, uma habitação condigna, assim como a mobilidade são das necessidades básicas mais importantes e facilmente identificadas por qualquer cidadão. A criação e manutenção de contextos e espaços favoráveis e facilitadores do envelhecimento é indispensável à promoção do bem-estar, da autonomia e da participação cívica dos cidadãos ao longo da vida.
A segurança pessoal passa pela perceção e pela realidade de um ambiente seguro, quer na comunidade em que se vive quer em casa. Os cidadãos precisam de sentir que vivem num bairro seguro, onde não existem abusos. Onde não existe crime e numa habitação segura e condigna, que lhes dê conforto e não os coloque em risco de quedas, acidentes ou lesões. Um ambiente e uma habitação seguros estão associados não só a bem-estar e saúde, mas também a autonomia. Assim como a impactos positivos na rede de relações sociais dentro e fora de casa, facilitando o envolvimento com a comunidade.
No que diz respeito à segurança financeira, não se trata apenas de garantir pensões sociais para os cidadãos seniores. Mas de proporcionar diferentes formas de apoio direto e indireto, que podem passar, por exemplo, pela possibilidade de manter a vida ativa até mais tarde ou ter acesso a serviços de apoio no domicílio.
A mobilidade é outro aspeto fundamental para o envelhecimento saudável, referindo-se quer à mobilidade do próprio corpo, quer àquela que implica o recurso a um veículo. Inclui levantar-se de uma cadeira, mover-se de uma cama para uma cadeira, caminhar, fazer exercício, realizar tarefas quotidianas, conduzir um carro ou utilizar os transportes públicos. A mobilidade é condição para outros aspetos do envelhecimento bem-sucedido, como o bem-estar ou a participação nas atividades sociais e culturais. É influenciada não apenas pela capacidade intrínseca do indivíduo, mas também pelo ambiente em que este vive.
Atividade física
A atividade física regular é essencial e está inextricavelmente ligada a aspetos cruciais para o bem-estar dos cidadãos de todas as idades. Por exemplo, a melhorias no sistema imunitário e na resistência à doença, à autonomia e independência. Além disso, sabemos que os cidadãos mais sedentários têm maior probabilidade de desenvolver quadros depressivos (33%) do que os cidadãos mais ativos (12%). Neste sentido, devem ser promovidas oportunidades de realização de atividade física.
Para além disso, e sabendo que os cidadãos mais velhos usam meios de transporte públicos, sobretudo os autocarros, para se deslocarem, é necessário melhorar a disponibilidade e a acessibilidade destes transportes, aumentando a sua relevância e conveniência.
Envelhecimento saudável, bem-estar e saúde
O declínio gradual do estado de Saúde é uma das características mais frequentemente associadas ao envelhecimento. E que, porventura, mais condiciona este processo, sobretudo nos casos em que existe uma doença crónica e/ou quadros clínicos que provocam incapacidades, afetando a vida quotidiana e a autonomia dos cidadãos.
Neste sentido, a promoção da saúde e do bem-estar tem um papel muito importante no envelhecimento saudável e bem-sucedido. A maior parte dos problemas de Saúde pode ser prevenida ou adiada através de alterações nos comportamentos e estilos de vida, e da criação de ambientes seguros e de apoio físico e social. É o acumular de comportamentos e experiências favoráveis ou desfavoráveis, ao longo da vida, que faz com que o envelhecimento dos cidadãos seja mais ou menos saudável e bem-sucedido.
Redes Sociais e Inclusão para um envelhecimento saudável
A evidência científica comprova existir uma associação entre o bem-estar e a qualidade de vida, ao longo do ciclo de vida e, sobretudo na velhice, o grau de inclusão social e a qualidade das relações sociais, o apoio emocional e instrumental que se dá e se recebe. Esta associação estende-se ao estado de saúde e até à redução do risco de mortalidade.
A capacidade de manter e construir relações sociais tem impacto nas restantes capacidades, tal como na mobilidade e na participação ativa na comunidade. No caso dos cidadãos seniores esta capacidade é particularmente prioritária. Ou seja, dada a importância de um leque alargado de relações, que inclua familiares, amigos, vizinhos e prestadores de serviço da comunidade.
Cultura e Educação ao longo da vida
A aprendizagem ao longo da vida e a participação em atividades culturais e recreativas, afetam a saúde e a qualidade de vida dos cidadãos. Além disso, afeta a competitividade económica das comunidades. Enriquecem não apenas a vida laboral, mas também a realização pessoal dos cidadãos, permitindo-lhes manter-se envolvidos e participantes na sociedade durante toda a vida.
No caso específico dos cidadãos sénior, continuar a aprender e a participar em oportunidades culturais permite-lhes manter e atualizar conhecimentos. Assim como competências para gerir a saúde e adaptar-se aos processos que ocorrem frequentemente na velhice (como a reforma, a viuvez ou tornar-se cuidador). Os cidadãos seniores que continuam a aprender e se mantêm culturalmente ativos são mais autoconfiantes, envolvem-se mais nas atividades das suas comunidades, são menos dependentes da família e dos serviços sociais do Estado, são mais saudáveis e apresentam maiores níveis de bem-estar.
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