Investigação em Saúde Psicológica
A Saúde Psicológica é essencial para alavancar o desenvolvimento. Seja ele individual, social ou económico. Por isso a construção de conhecimento sobre Saúde Psicológica, em todos os contextos de vida, é crucial.
O papel das Psicólogas e dos Psicólogos na investigação é particularmente relevante e pode contribuir decisivamente para a melhoria global da Saúde, do bem-estar e da qualidade de vida dos cidadãos portugueses. Pode ainda contribuir para a adopção de comportamentos e estilos de vida saudáveis. Ou para o aumento da resiliência e da longevidade e a diminuição da mortalidade e dos comportamentos de risco. Além disso, pode contribuir para a redução das desigualdades e a melhoria do sucesso educativo e da produtividade laboral.
A produção de evidências científicas na área da Ciência Psicológica pode dar um contributo essencial à construção de políticas públicas que informem tomadas de decisão sustentáveis e considerem a Saúde Psicológica e o desenvolvimento das pessoas.
Neste sentido, a OPP disponibiliza aos Psicólogos e Psicólogas uma Medida de Apoio à Investigação em Saúde Psicológica. A AISP – Medida de Apoio à Investigação em Saúde Psicológica pretende apoiar a investigação científica. O apoio é extensível a investigadores e centros de investigação portugueses, que desenvolvam estudos originais e relevantes, na área da Saúde Psicológica. A investigação pode ser em todos os contextos e dimensões de vida dos cidadãos, contribuindo, dessa forma, para o avanço do conhecimento da Ciência Psicológica e produção de indicadores sobre a realidade portuguesa.
Nesta página encontra os Projetos de Investigação apoiados por esta medida. Não só aqueles que estão em curso e relativamente aos quais pode aceder aos respectivos questionários, mas também, de futuro, os resultados obtidos.
PROJECTOS EM CURSO
A transição para a (grã)parentalidade é um momento-chave do ciclo de vida que impõe desafios individuais, conjugais/parentais e familiares. O presente estudo tem como objectivo investigar a adaptação familiar, conjugal, parental e individual durante o primeiro ano de (grã)parentalidade (em contexto de pandemia COVID-19) e compreender as vivências (com ênfase nos rituais familiares) das duas gerações mais envolvidas nos cuidados ao bebé.
https://ulfp.qualtrics.com/jfe/form/SV_db8tV5NKUWRChsG
A presente investigação pretende identificar, em simultâneo, factores de risco e que protegem a saúde mental das pessoas com Doenças Neurodegenerativas (ou seja, doenças crónicas), com o objectivo de contribuir e melhorar as intervenções clínicas (prevenção e tratamento. Em simultâneo, vão ser validados vários instrumentos de avaliação para as variáveis em estudo. Para participar nesta investigação, basta fazer um contacto com carolina.rita.fg@gmail.com ou ligar para 917438945.
Results of surveys of healthcare workers during the COVID-19 pandemic demonstrate adverse effects on psychological well-being (De Kock et al., 2021) progressively worsening over the first year of the pandemic (Sasaki et al., 2021). However, the impact of the pandemic on the psychological well-being of mental health professionals has been largely overlooked. A survey of 110 psychotherapists in the United Kingdom early in the pandemic found that pressures related to using telehealth and long work hours were associated with burnout, while work-life balance and self-compassion may have protected against burnout (Kotera et al., 2021). Surveys of licensed psychologists in April 2020, September 2020, and June 2021 in the USA documented what appeared to be a permanent shift to telehealth services and rapidly increasing caseloads of with greater symptom acuity and suicidality (Sammons et al., 2021). Socioeconomic and racial/ ethnic adversities facing marginalized communities may amplify patients’ distress and clinicians’ vicarious stress (Sherman et al., 2021). Therefore, it is crucial to assess the cumulative impact on mental health professionals of exposure to direct and vicarious stressors in the pandemic.
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O mercado de trabalho está em constante mudança e dinamismo, a empregabilidade dos jovens torna-se fundamental para o seu desenvolvimento, autonomia e também tem um profundo papel na sociedade. Identificamos um crescente gap entre as expectativas e atitudes dos profissionais, especialmente os mais jovens face ao futuro e trabalho e das necessidades do mercado de trabalho e das expectativas das empresas e respetivos responsáveis. O objetivo principal deste projeto é estudar e compreender as expectativas dos psicólogos sobre o que representa para eles um Ambiente de Trabalho Saudável ao nível da cultura, liderança, envolvimento dos profissionais, riscos psicossociais do trabalho, saude mental, responsabilidade social e recursos para a saúde, assim como recolher recomendações para a promoção de ecossistemas de ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.
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Este estudo tem como objetivo explorar a relação entre o conceito de trabalho digno, o fenómeno do burnout e do desvio do trabalho, os seus efeitos na saúde psicológica e intenção de abandono dos psicólogos júnior, explorando também como o calling de carreira pode moderar essa relação, e se a saúde psicológica age como mediador nesse processo complexo. Estudos recentes examinaram principalmente os efeitos positivos do trabalho digno, no entanto, tem sido dada atenção limitada às possíveis consequências negativas do trabalho digno, como burnout e desvio do trabalho. É crucial examinar os aspetos negativos do trabalho digno para obter uma compreensão mais abrangente do seu impacto sobre os trabalhadores em vários ambientes de trabalho. Além disso, também o papel potencial do calling de carreira na formação de variáveis de resultado de trabalho digno permanece desconhecido. O calling de carreira é uma convocação transcendental para seguir uma carreira significativa, ajudar os outros ou contribuir para o bem comum Diferenças no nível do calling de carreira levam a diferentes reações quando os indivíduos se deparam com difíceis condições de trabalho. Conceção/metodologia/abordagem: Seguindo as recomendações de Cook et al (2019) acerca da necessidade de estender a pesquisa sobre trabalho digno a diferentes países, indústrias e grupos ocupacionais específicos, a nossa amostra será constituída por psicólogos júnior, um grupo importante e pouco estudado na literatura sobre o trabalho digno. A American Psychological Association e as suas divisões desenvolveram vários recursos destinados a ajudar os psicólogos em início de carreira; no entanto, muito pouca investigação foi efetuada para avaliar as necessidades reais deste grupo. Especificamente, a investigação não identificou as características psicológicas do trabalho, essenciais para a retenção ou abandono da carreira de psicólogo (Trombello et al., 2022). Nesse sentido, este estudo tem como objetivo elaborar como lidar com este problema utilizando o trabalho digno e a saúde psicológica, enfatizando a necessidade de estar atento aos psicólogos juniores, prestando atenção às suas necessidades psicológicas e criando e mantendo uma cultura justa e segura nas organizações para promover o desenvolvimento sustentável do sector da psicologia. No presente estudo, os dados serão recolhidos através de questionários. A amostra será constituída por psicólogos juniores, utilizando um método de amostragem de conveniência para responder aos questionários. A mediação paralela-serial com modelo de moderação será avaliada utilizando o PROCESS. Originalidade/valor: Existe uma lacuna na literatura sobre a investigação acerca dos efeitos negativos do trabalho digno em geral, e em específico da relação do trabalho digno com a intenção de rotatividade. Além disso, a existência de um ano profissional júnior em Portugal não foi acompanhada pelo desenvolvimento de pesquisas relacionadas a diferentes aspetos do trabalho destes profissionais, considerando que eles se encontram em início de carreira. Implicações: Promover um ambiente de trabalho digno contribui para a redução do stresse e dos desvios no local de trabalho, reduzindo assim os problemas de saúde psicológica dos psicólogos, permitindo que os psicólogos juniores se mantenham e desenvolvam, pessoal e profissionalmente, enquanto profissionais de psicologia.
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O stress parental é uma preocupação atual e relevante para a saúde pública, devido ao seu impacto negativo no bem-estar dos pais, no desenvolvimento das crianças e no funcionamento familiar. A transição para a parentalidade é descrita como um período stressante para os pais, embora ainda não seja claro quais os aspetos pessoais, relacionais e ecológicos – e.g. autoeficácia parental, atitudes acerca dos papéis de género, coparentalidade, suporte social e divisão de tarefas domésticas e dos cuidados da criança – que podem contribuir para o stress parental e como eles se desenrolam ao longo do tempo. Com base nisso, o objetivo do presente estudo é utilizar uma abordagem longitudinal baseada em questionários para examinar as variáveis intra e interindividuais das mães e dos pais, bem como os seus efeitos sobre o stress parental de ambos os pais no final da gravidez e ao longo do tempo, aos 3, 6 e 9 meses após o parto. Os participantes serão recrutados em maternidades, centros de saúde, e mídias sociais e serão solicitados a responder a um protocolo de questionários quantitativos. A análise dos dados levará em consideração a interdependência entre as díades, nomeadamente através do Actor-Partner Interdependence Model e da Análise de Crescimento Latente. Os resultados permitirão o desenvolvimento de recomendações baseadas em evidências para ajudar os casais a lidar com esta fase desafiadora, com foco em profissionais e formuladores de políticas.
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A Demência é a patologia que mais causa incapacidade e dependência em pessoas mais velhas no mundo. A articulação entre Intervenções Farmacológicas e Intervenções Não-Farmacológicas (INF), nomeadamente intervenções psicológicas, é crucial para o bem-estar e qualidade de vida das Pessoas com Demência (PcD) e seus cuidadores, para o retardamento da evolução da doença e adiamento da institucionalização. Apesar das evidências sobre benefícios das INFs e das intervenções psicológicas, na maioria dos protocolos de tratamento, não estão previstas, ocorrendo, geralmente, quando as PcD e seus cuidadores procuram ativamente e têm recursos para estas intervenções. O acesso a intervenções psicológicas para PcD é limitado, constatando-se dificuldades na colaboração entre médicos e psicólogos, sendo necessário desenvolver práticas e estratégias de colaboração interdisciplinar nos cuidados à PcD. Este projeto ambiciona estudar e otimizar a articulação da Psicologia Clínica e da Saúde (PCS) e da Medicina nos cuidados à PcD.
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A investigação empírica em torno da literacia em saúde mental (LSM) (quer ao nível das intervenções promotoras de LSM, quer ao nível dos instrumentos de avaliação de LSM) tem-na conceptualizado e explorado quase exclusivamente na sua dimensão focada na doença mental, apesar da Organização Mundial de Saúde reconhecer que a saúde mental não se circunscreve à ausência de doença mental, mas também à presença de bem-estar psicológico (Keys, 2005; Iasiello et al., 2020). Neste sentido, não é possível extrapolar os dados existentes sobre LSM para literacia do que tem sido descrito como “complete mental health” (i.e., ausência de psicopatologia e presença de bem-estar), inclusivamente em profissionais de saúde mental. Um estudo realizado com profissionais de saúde mental de 92 países concluiu que 68% dos profissionais de saúde mental utilizavam manuais de diagnóstico (ICD ou DSM) apenas para fins administrativos, e aproximadamente 20% reportavam a ausência de diagnósticos clínicos (First et al., 2018). Apesar disso, e ainda que haja um crescimento de abordagens transdiagnósticas e/ou focadas nos processos, em oposição a abordagens categoriais de saúde e doença mentais (e.g., terapias contextuais-comportamentais; abordagens construtivistas), a inexistência de um diagnóstico categorial não exclui a possibilidade de psicopatologização de experiências psicológicas, inclusivamente da ausência de bem-estar sem presença de psicopatologia (i.e., languishing). Este estudo pretende explorar o conhecimento dos/as profissionais de saúde mental em Portugal sobre languishing (e.g., a sua capacidade de identificar uma apresentação de languishing numa vinheta), assim como sobre intervenções promotoras de bem-estar e propósito de vida. DESENHO: A presente investigação seguirá um desenho exploratório, não experimental, transversal, correlacional, e misto (qualitativo e quantitativo), realizado online. PARTICIPANTES: a amostra (N = 120) será compostas por psicólogos/as, psiquiatras, pedopsiquiatras, internos/as de psiquiatria ou pedopsiquiatria, enfermeiros/as com especialidade em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica, a trabalhar atualmente em Portugal. PROCEDIMENTO: a equipa de investigação, em colaboração com o Serviços de Saúde e de Gestão da Segurança no Trabalho dos Serviços da Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC) no qual uma investigadora membro da presente equipa desempenha funções de psicóloga clínica, divulgará o estudo junto da sua rede contactos. Será ainda solicitada a associações profissionais (e.g., Ordem dos Psicólogos Portugueses, Ordem dos Médicos, Ordem dos Enfermeiros, Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria) a divulgação do estudo, através do respetivo link, nas suas redes sociais e newsletters. As pessoas participantes, após lerem informação detalhada sobre o estudo (e.g., objetivos, população de interesse, caráter voluntário, confidencialidade dos dados, contactos), fornecem o seu consentimento informado online, através de um clique. A amostragem será não probabilística por conveniência. A recolha de dados ocorrerá através do site Limesurvey alojado ao servidor da UC. A análise dos dados será realizada através de softwares estatísticos (e.g., SPSS para análise quantitativa e NVivo para análise qualitativa). Os dados estarão anonimizados nas bases de dados.Este estudo foi submetido a consulta pela Comissão de Ética e Deontologia da Investigação da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (CEDI-FPCEUC), no âmbito das suas competências, tendo obtido parecer favorável. RESULTADOS ESPERADOS: Espera-se recolher uma amostra dos profissionais de saúde mental em Portugal por forma a caraterizar a literacia em saúde mental dos mesmos, mais especificamente a sua capacidade para: avaliar e intervir em langushing; a relação entre as suas caraterísticas socioprofissionais e o seu próprio bem-estar mental. Numa etapa posterior do estudo, pretende-se comparar os resultados do mesmo com os de outros países, através de um estudo transcultural.
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A depressão perinatal (depressão durante a gravidez, e primeiro ano após o parto) é geralmente associada a consequências negativas para a mãe e para o filho/a. É um problema de saúde pública devido à sua grande prevalência (cerca de 7-13% das mães) e aos seus custos socioeconómicos. Sabe-se que a depressão perinatal aumenta o risco de suicídio materno, sendo esta a causa de morte mais comum por parte de mulheres durante este período. No entanto, esta perturbação ainda é frequentemente desconhecida, não detetada e não tratada. Os obstáculos à procura de ajuda incluem o estigma, o medo de ser considerada “má mãe” e a falta de conhecimento e de experiência dos profissionais de saúde. Os profissionais de saúde (enfermeiros ou médicos) que trabalham na área obstétrica têm um papel fundamental na deteção de doentes com sintomas de depressão perinatal e na referenciação para profissionais de saúde mental. Vários estudos exploraram o conhecimento, as atribuições causais, representações e atitudes de mães perante a depressão perinatal. Apesar de estas se mostrarem disponíveis para falar sobre a sua saúde mental e bem-estar durante a gravidez (Nagle et al. 2018), também referem que caso experienciassem sintomatologia depressiva neste período, recorreriam primeiramente a familiares e amigos, mostrando alguma relutância em falar sobre isso com profissionais de saúde (medo de potenciais consequências negativas, tais como a criança ser referenciada aos serviços de proteção de menores e perda da sua guarda legal; Henshaw et. al. 2013; Millett et al. 2017). As mães também relatam estar mais dispostas a discutir questões de saúde mental com um profissional de saúde da área obstétrica do que com um profissional de saúde mental (Kingston et. al. 2014). Embora as atribuições causais relativas à depressão perinatal sejam multifatoriais, parece haver uma predominância de atribuições de natureza psicossocial (por exemplo, contexto familiar (multi) problemático; Henshaw et al. 2013) e a variações hormonais relacionadas com a gravidez (Henshaw et al. 2013; Habel et al. 2015). No geral, as mães têm atitudes maioritariamente positivas em relação a mães com depressão perinatal (Smith et al. 2019). Embora enfermeiros/as e médicos/as obstetras relatem estar dispostos a participar no rastreio da depressão perinatal, também referem a sua falta de experiência e desconforto na avaliação do risco de suicídio (Hauck et al. 2015; Lau et al. 2015; Noonan et al. al. 2018). As atribuições causais dos/as enfermeiros/as sobre a depressão perinatal permanecem desconhecidas. Os/as enfermeiros/as têm atitudes principalmente positivas em relação às mulheres com depressão perinatal (por exemplo, baixa perigosidade para os outros; crenças de que as mulheres podem recuperar e oferecer cuidados de qualidade aos seus filhos; Hauck et al. 2015; Noonan et al. 2018). No entanto, as suas atitudes em relação a essas mulheres parecem ser menos positivas em comparação com mulheres com problemas psicossociais ou deficiência física (Hauck et al. 2015). Não foram encontrados estudos que comparem mães/pais e enfermeiros/as e médicos/as obstetras no que diz respeito ao conhecimento, atribuições causais e representações sobre a depressão perinatal, bem como as suas atitudes em relação a mulheres com depressão perinatal. Justificando-se assim, a pertinência da elaboração deste estudo.
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PrevANS is the first online intervention for anxiety prevention to combine personalization with universal prevention. Anxiety is the fourth leading contributor to disease burden, a problem exacerbated by COVID-19. Treatment alone has been insufficient in reducing the high mental problems’ prevalence. PrevANS is an innovative solution to reduce anxiety disorder incidence in the general population through an online intervention based on a risk algorithm (predictA). This project aims to develop and implement prevANS in portuguese population and evaluate its effectiveness in preventing anxiety disorders, its cost-effectiveness and cost-utility, and acceptability and participants’ satisfaction, through a randomized controlled trial with two parallel arms (intervention group vs. control group) and three assessment periods (baseline, 6-month and 12-month follow-up). To date, no randomized controlled trial of a personalized universal anxiety preventive intervention was conducted in Portugal. Ultimately, this project aims to contribute to reducing the most prevalent mental health problem in Portugal by providing an empirically validated online self-guide intervention.
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Este projeto, proposto pela Cooperativa Catavento Gab: Gerações a Brincar, CRL, visa investigar o impacto de um programa de convívio e aprendizagem intergeracional regular no bem-estar psicossocial e na saúde de crianças (5-12 anos) e seniores (>65 anos, reformados). Inserido na área prioritária de Prevenção, Intervenção e Promoção da Saúde Psicológica, o estudo analisará melhorias no bem-estar emocional, redução de sintomas de ansiedade/depressão, diminuição de estereótipos sobre o envelhecimento, aumento da empatia e competências sociais em crianças, bem como a redução da solidão, sintomas depressivos e aumento da satisfação com a vida e bem-estar subjetivo em seniores. Adicionalmente, serão explorados impactos na saúde física (e.g., variabilidade da tensão arterial) e cognição nos seniores. Adotando um design quasi-experimental, longitudinal, com grupo de controlo não equivalente, a investigação combinará métodos quantitativos (questionários validados em pré e pós-teste) e qualitativos (entrevistas semiestruturadas com uma subamostra) ao longo de 18 meses. Espera-se demonstrar que a participação regular em atividades intergeracionais estruturadas promove significativamente a saúde psicológica, a coesão social e o desenvolvimento de competências em ambas as faixas etárias. Os resultados pretendem informar o desenvolvimento de práticas baseadas na evidência, contribuir para a definição de políticas públicas mais inclusivas e fornecer um modelo replicável para outros contextos comunitários, fortalecendo os laços entre gerações.
O projeto HiTOP-SR: Uma Nova Era para a Avaliação Psicológica (FOR.ALL) propõe a tradução, adaptação e validação do HiTOP-SR – Hierarchical Taxonomy of Psychopathology Self-Report, um instrumento de auto-relato desenvolvido por um consórcio internacional para a avaliação da psicopatologia com base em evidência empírica. A iniciativa multidisciplinar visa colmatar lacunas na avaliação psicológica em Portugal, nomeadamente a ausência de dados normativos e a limitação dos sistemas de diagnóstico tradicionais. Com o HiTOP-SR, pretende-se oferecer uma alternativa baseada em dados multicêntricos, de acesso gratuito e com maior validade científica. A adaptação seguirá as diretrizes internacionais para tradução e validação, promovendo assim a equidade no acesso ao diagnóstico e o desenvolvimento sustentável da e-saúde mental.
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O projeto MIND é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e promovido pelo Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Universidade de Coimbra, em parceira com outras instituições nacionais e internacionais. Visa aferir o custo e a efetividade de um programa de intervenção psicoterapêutica desenhado especificamente para doentes oncológicos (programa MIND), através do desenvolvimento de um ensaio controlado randomizado de três braços (MIND, grupo de suporte, lista de espera).
Este projeto tem como objetivo conhecer os fatores e mecanismos potencialmente relevantes da relação conjugal para a adaptação individual, conjugal e parental dos seus elementos. Procuramos ainda caracterizar a procura de ajuda profissional para dificuldades na relação de casal em Portugal, nomeadamente os facilitadores e as barreiras da procura de ajuda, uma realidade pouco conhecida em Portugal. Para além disso, também contribuirá para validar cientificamente ferramentas que permitem avaliar domínios da vida conjugal, podendo ser posteriormente utilizadas na prática clínica. A participação no estudo é anónima e consiste no preenchimento de um questionário online, constituído por várias questões sobre diferentes áreas da sua vida (individual, relacional, social, familiar), num único momento. O preenchimento do questionário tem uma duração prevista de 40 minutos. Podem participar no estudo qualquer homem ou mulher, com idade igual ou superior a 18 anos, que esteja numa relação amorosa heterossexual e exclusiva (i.e., casado/a, em união de facto, ou situação de namoro), que tenha bom domínio da língua portuguesa e que resida em Portugal. Os resultados deste estudo permitirão (1) contribuir para o avanço da ciência na área da conjugalidade em Portugal e (2) identificar áreas de intervenção clínica que respondem às reais necessidades dos casais que atravessam maiores dificuldades na sua relação. Pretende-se assim que a informação recolhida contribua para melhorar os serviços de apoio a casais existentes no nosso país.
Em linha com associações internacionais congéneres (American Psychological Association [APA], 2014; National Association of School Psychologists [NASP, 2018], desde a sua primeira publicação, o Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses [OPP] (OPP, 2011 revisto em 2021) reconhece a atualização e o desenvolvimento profissional como um imperativo ético dos/as psicólogos/as. Neste contexto, e em conformidade com o Modelo Europeu de Competências Europsy, a supervisão é uma prática recomendada para todos/as psicólogos/as, nas várias etapas do seu percurso profissional (i.e., estudante, início de carreira, especialista), constituindo ainda um requisito obrigatório no acesso à profissão (OPP, 2022). Na sequência da publicação do Regulamento Geral de Especialidades Profissionais da OPP (Regulamento n.o 107-A/2016 de 29 de janeiro), a supervisão e intervisão profissional foram ainda reforçadas como parte integrante da formação contínua e especializada dos/as psicólogos/as. Mais precisamente, este regulamento veio instituir a necessidade dos/as futuros/as candidatos/as a especialistas reunirem um número mínimo de créditos em atividades de supervisão, ministrada por um/a psicólogo especialista, sendo igualmente valorizado para efeitos de atribuição de títulos de especialidade o envolvimento dos/as psicólogos/as em atividades de intervisão e de supervisão de pares, estágios curriculares e de acesso à ordem. A APA (2014) define a supervisão como uma prática profissional distinta, assente numa relação colaborativa, com componentes facilitadores e avaliativos, que se estende ao longo do tempo, com o objetivo de aprimorar as competências e as práticas profissionais do/a supervisionado/a. De acordo com a APA (2014), a supervisão profissional visa também monitorizar a qualidade dos serviços prestados pelos psicólogos/as, proteger o público e funcionar como garantia para a entrada na profissão. O carácter hierárquico da relação de supervisão é realçado por alguns autores (e.g., Bernard & Goodyear, 2004), pressupondo a intervenção de um/a profissional sénior junto de um/a profissional júnior de uma mesma profissão, com o propósito de melhorar o funcionamento do segundo. A necessidade de educação e treino em supervisão é consensual entre associações profissionais no campo da psicologia (e.g., APA, 2014; NASP, 2018; OPP, 2021), na medida em que requer conhecimentos, habilidades e atitudes específicas (NASP, 2018). A prática da supervisão pode assumir diferentes formatos (e.g., individual, grupo) e modalidades de intervenção (e.g., presencial, a distância), bem como variar quanto aos modelos teóricos, métodos e técnicas utilizadas (Harvey & Struzziero, 2008). A intervisão, por seu turno, apresenta-se como um processo relacionado, todavia, distinto da supervisão. De origem latina, o prefixo inter remete para a noção de relação recíproca, refletindo um processo liderado por pares, que não depende de um especialista externo a atuar como facilitador. A intervisão é definida pelo seu formato de grupo, pela simetria das relações e pela reversibilidade de papéis dos seus participantes. Tem por objetivo criar um espaço seguro e reflexivo, com foco em questões e desafios de um grupo profissional, proporcionando aos seus membros oportunidades de apoio emocional e instrumental, de ampliarem as suas perspetivas, de desenvolverem as suas habilidades de questionamento, abertura, confiança e compreensão compartilhada (Staempfli, 2019). Trata-se de um conceito mais recente na língua portuguesa (Saraiva et al., 2020) e de uso menos corrente na literatura anglo-saxónica em psicologia, onde o uso do termo supervisão por pares parece ser mais generalizado. Com base num inquérito nacional conduzido, em 2012, junto de 477 psicólogos escolares, Mendes (2019) observou que a ausência de supervisão era a realidade mais frequente entre os profissionais, com apenas 14% dos participantes a relatar receber algum tipo de supervisão. Destes profissionais, a maioria afirmou recorrer a serviços de supervisão em clínicas privadas (54%), geralmente desenvolvidos no formato individual e centrados na discussão de casos-problema. Um número mais reduzido de profissionais mencionou receber supervisão no contexto de instituições de ensino superior (26%) e no seu local de trabalho (20%), sobretudo, no formato grupo e contemplando diferentes dimensões da prática profissional. Num estudo posterior, realizado com 803 psicólogos/as portugueses a atuar no campo da psicologia da educação, Coelho et al. (2016) reportaram que apenas 9% da amostra inquirida recebia supervisão profissional, sem que mais detalhes fossem avançados sobre estes processos. Pese embora o reduzido acesso a supervisão, os resultados obtidos por Mendes (2019) sugeriam que mais de 80% dos/as psicólogos/as escolares recorria ao apoio de pares perante dúvidas e dificuldades na sua prática profissional. De notar que este último estudo não explorou de forma direta o tema da intervisão, questionando apenas de forma aberta os psicólogos/as escolares sobre as suas redes de suporte profissional. É difícil argumentar contra a necessidade dos/as psicólogos/as em contextoescolar beneficiarem de supervisão e intervisão regular, considerando a complexidade e as múltiplas exigências inerentes ao exercício da psicologia escolar (e.g., multiplicidade de papéis, funções e domínios de intervenção; dimensão, dispersão geográfica e diversidade da população escolar; reconcetualização de modelos de prestação de serviços, em linha com os modelos multinível de suporte, etc.). Assim, volvida cerca de uma década dos trabalhos de investigação supracitados, e no quadro das recomendações mais recentes da OPP (i.e., Recomendações para a Prática de Supervisão [OPP, 2020a] e Intervisão em Psicologia [OPP, 2020b], Linhas Orientadoras para a Prática da Supervisão [OPP, 2022]), importa atualizar e ampliar a informação disponível sobre o acesso, as práticas e as perceções dos/as psicólogos/as em contexto escolar sobre a supervisão e intervisão profissional. Paralelamente, porque existe grande probabilidade dos/as psicólogos/as escolares atuarem, eles próprios, como supervisores de pares, estágios académicos e de acesso à ordem, interessa compreender a experiência e a formação destes profissionais no campo da supervisão.
A maternidade é um acontecimento de vida marcante, muitas vezes vivido como um período caloroso, feliz e de afeto positivo. Porém, este período pode trazer vulnerabilidades e incertezas, podendo ter um impacto negativo no bem-estar da mãe, particularmente para mulheres com um estilo de vinculação inseguro e com bebés de temperamento difícil. Estes fatores têm sido considerados fatores de risco importantes para a relação mãe-bebé, sendo esta considerada como um protótipo para o estabelecimento de relações futuras ao longo da vida. A equipa de investigação verificou que a qualidade da relação mãe-bebé e as experiências de cuidados detêm um impacto no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança. Porém, a investigação existente foca sobretudo a compreensão dos fatores relacionados com depressão e ansiedade no pós-parto, sendo escassa e sobretudo correlacional a investigação sobre os fatores protetores maternos que poderão contribuir para a qualidade da relação mãe-bebé. Estudos da equipa demonstraram a relação entre a flexibilidade psicológica e a compaixão – duas estratégias de regulação emocional adaptativas – e o bem-estar e saúde mental em diferentes populações. Assim, ter uma atitude de não julgamento, aceitação e cuidado para com as experiências internas do próprio e dos outros (especialmente as negativas) poderá ter um papel protetor crucial na melhoria da qualidade do vínculo mãe-bebé do período pré-natal para o pós-natal, mesmo na presença de dificuldades de vinculação da mãe e/ou de um bebé com temperamento difícil. Este projeto tem como objetivo principal perceber se as competências de compaixão (em relação ao eu e aos outros) e a flexibilidade psicológica das mães na gravidez funcionam como fatores protetores do desenvolvimento de uma relação positiva entre a mãe e o bebé no pós-parto. Pretende-se ainda descobrir se esse efeito se mantém ao longo do tempo mesmo na presença de dificuldades na vinculação da mãe e do temperamento do bebé. A amostra do estudo será composta por mulheres grávidas e será utilizado um design longitudinal com três momentos (i.e., tempo 0: sexto mês de gravidez, tempo 1: 3 meses do bebé; tempo 2: quando o bebé tiver 9 meses de idade). Pretende-se responder a três questões de investigação: 1) Terá a compaixão e a flexibilidade psicológica das mães no período pré-natal um impacto na relação mãe-bebé no pós-parto? 2) Poderá esse impacto ter um papel protetor em relação a padrões de vinculação maternos menos adaptativos e ao temperamento difícil do bebé? e 3) Terão estes fatores (vinculação materna, compaixão, flexibilidade psicológica das mães e temperamento do bebé) um impacto duradouro na qualidade da ligação mãe-bebé (i.e., do período pré-parto para o pós-parto até ao bebé ter nove meses)? Os dados serão recolhidos através de questionários de autorrelato através de uma plataforma online que será desenvolvida especificamente para este projeto e que permitirá a disseminação de informação e a recolha de dados. Nos três momentos de avaliação será solicitada informação sobre a compaixão e flexibilidade psicológica das mães; no tempo 1 será avaliado o estilo de vinculação da mãe, enquanto que nos tempos 1 e 2 avaliar-se-á a perceção materna sobre o temperamento do bebé e a ligação mãe-bebé. As análises serão efetuadas com recurso a modelos de equações estruturais entre as variáveis definidas em cada questão de investigação. Hipotetizamos que, embora a vinculação da mãe e o temperamento do bebé tenham um efeito direto na relação mãe-bebé, a compaixão e flexibilidade psicológica possam ter um impacto nesse efeito, funcionado como fatores protetores e predizendo um melhor vínculo mãe-bebé mesmo para mães com uma vinculação insegura (e.g., ansiosa) e com bebés com um temperamento difícil. A compaixão e flexibilidade psicológica poderão ser variáveis relevantes a promover na prática clínica, particularmente para aquelas mães com maior vulnerabilidade para um vínculo mãe-bebé mais pobre. Os resultados deste estudo terão implicações relevantes. Por um lado, estão alinhados com os objetivos de desenvolvimento sustentável da UN2030, em particular na promoção do bem-estar e saúde mental para todos; neste caso propomo-nos identificar variáveis que podem melhorar qualidade da ligação mãe-bebé, o que por sua vez contribuirá para a promoção do bem-estar e saúde mental num período de vida desafiante como é a transição para a maternidade. Por outro lado, este projeto assumirá uma perspetiva longitudinal sobre a maternidade, ao invés de focar nas vulnerabilidades e psicopatologia associadas a este período, como é mais habitual. Por fim, a disseminação dos resultados deste projeto fornecerá evidências para sustentar o desenvolvimento de ações preventivas (envolvendo treino da compaixão e/ ou promoção da flexibilidade psicológica) que promovam a resiliência, empoderamento e bem-estar das mães, previnam a morbilidade dos bebés e promovam um vínculo mãe-bebé seguro no período pós-natal.
Os fatores psicossociais têm sido objeto de extensa investigação internacional nas forças de segurança e policiais. O presente estudo tem como objetivo recolher informação sobre um conjunto de variáveis que poderão ser fatores de proteção e de risco para os Militares da GNR, utilizando o COPSOQ-III. Com base nos resultados, poder-se-á realizar um diagnóstico desses fatores nesta população. Adicionalmente, pretendemos contribuir para a questão teórica da equivalência funcional entre a baixa perceção de justiça e a alta perceção de injustiça. Esta questão foi já objeto de um estudo aprovado pela medida AISP (Título do projeto: “É justo ou pouco injusto? Uma análise comparativa das perceções de (in)justiça e indicadores de bem-estar psicológico e social”), e este novo estudo pretende recolher dados adicionais que permitam replicar e estender os dados já obtidos. Neste estudo, concretamente avaliaremos a relação das medidas de justiça e injustiça com os indicadores de saúde e bem-estar do COPSOQ-III.
As embalagens de alimentos salientam habitualmente um conjunto de atributos que podem determinar a forma como os consumidores percecionam esses alimentos (para revisão, ver Fernqvist & Ekelund, 2014). Tais atributos podem referir-se ao método de produção (e.g., “origem biológica”, Prada et al., 2017) ou zona geográfica (e.g., “produto nacional”), bem como à composição dos alimentos. Por exemplo, estudos anteriores demonstraram que a apresentação designações relacionadas com a ausência de glúten (e.g., Prada et al., 2019) ou com o teor de açúcar (e.g., Prada et al., 2022) podem enviesar a perceção acerca dos produtos (e.g., avaliando-os como mais saudáveis ou menos calóricos). Este tipo de viés é potencialmente problemático porque poderá estar associado a expectativas não fundamentadas acerca das propriedades dos produtos bem como a um consumo alimentar excessivo. Atualmente, a oferta tanto de produtos apresentados como “funcionais” (e.g., produtos lácteos de elevado teor proteico) como de produtos de base vegetal é cada vez mais evidente no mercado nacional, sendo relevante examinar como são percebidos pelos consumidores. Por exemplo, Li et al. (2019) verificou que os consumidores exibem preferência pelos produtos com elevado teor proteico, enquanto que Possidónio et al. (2021) verificou que produtos de origem vegetal (e.g., legumes) são por vezes percebidos como mais saudáveis, naturais e sustentáveis que a carne. No presente projeto, temos como objetivo examinar experimentalmente o impacto de alegações relacionadas com o teor proteico de alimentos (“elevado teor proteico” vs. controlo, Estudo 1), com a sua origem (e.g., “origem vegetal” vs. “carne”, Estudo 2), e com a interação entre estes atributos (e.g., “rico em proteína”, “rico em proteína vegetal”, controlo Estudo 3). Os resultados deste estudo visam contribuir para a uma alimentação mais saudável, promovendo escolhas responsáveis e informadas.
As escolas são apontadas como um contexto privilegiado para apoiar a saúde psicológica e o bem-estar dos/as alunos/as (Doll, 2019). Atualmente, propõe-se que os esforços para a promoção da saúde psicológica das escolas recorram à Abordagem Multinível (AMN) em áreas fundamentais da saúde psicológica (Fabiano & Evans, 2019). O despiste universal é um componente vital da AMN e sugere-se que este seja um despiste para a ‘saúde psicológica completa’ – complete mental health – dos/as alunos/as, incorporando questões relacionadas com o risco de dificuldades sociais, emocionais e comportamentais, e dimensões das forças psicológicas/bem-estar subjetivo (Moore et al., 2019). A literatura reforça a necessidade de validar ferramentas para as escolas poderem utilizar no seu contexto (Allen et al., 2019). Simultaneamente, para que o termo ‘saúde psicológica escolar’ seja efetivamente alcançado, entende-se como essencial considerar os profissionais das escolas (King & Lederer, 2019). A profissão de docente foi já apontada como uma das ocupações mais causadores de stress (Berlanda et al., 2019); progressivamente, professores, diretores de escola, pessoal não-docente, reportam níveis mais elevados de stress, ansiedade, burnout, baixa satisfação no trabalho, entre outros indicadores de saúde psicológica e bem-estar frágil (Brütting et al., 2018; Kwak et al., 2019). O presente estudo é o segundo no âmbito do projeto de doutoramento intitulado “Abordagem multinível para a promoção de saúde psicológica e bem-estar, dos alunos aos Diretores: Contributos para o processo de despiste universal em escolas.”. O primeiro estudo qualitativo, em fase de finalização, pretendeu analisar as perceções de diferentes profissionais de escola relativamente à relevância, adequação, utilidade e viabilidade de implementar um processo de despiste universal nas escolas para o bem-estar e saúde psicológica de profissionais e alunos/as (análise da validade social deste processo). Neste segundo estudo, de cariz quantitativo, e baseado nos resultados do primeiro, pretende-se contribuir com a adaptação e validação inicial de questionários de despiste universal adaptados ao contexto nacional para alunos (3ºCEB) e para os profissionais que trabalham com esta faixa etária (consideraremos diretores/as, professores/as, assistentes operacionais, assistentes técnicos, e psicólogos escolares).
Este projeto, realizado no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), visa entender como os recursos pessoais e organizacionais influenciam a saúde ocupacional e o bem-estar dos trabalhadores em Portugal. Baseado no modelo de Exigências e Recursos no Trabalho, o estudo concentra-se em variáveis como autocuidado, competências sociais e emocionais, liderança positiva e práticas organizacionais saudáveis. Portugal está entre os países europeus com maior risco de burnout, impactando negativamente a saúde e bem-estar dos trabalhadores bem como o seu desempenho. Neste cenário socioprofissional, este estudo torna-se especialmente relevante. A recolha de dados será exclusivamente quantitativa, utilizando instrumentos psicometricamente validados.
Este estudo tem como objetivo investigar o conhecimento e as atitudes da população em Portugal relativamente às Tecnologias de Reprodução Medicamente Assistida (TRMA). Pretende-se compreender de que forma variáveis sociodemográficas (idade, género, orientação sexual, escolaridade, estatuto socioeconómico) influenciam perceções, aceitação e eventual resistência às TRMA, considerando o enquadramento legal português e as implicações para a saúde psicológica, o bem-estar e a diversidade familiar. A investigação contribuirá para a compreensão dos desafios enfrentados por indivíduos e casais que recorrem às TRMA, bem como para o desenvolvimento de políticas públicas e práticas clínicas mais inclusivas.
O diagnóstico de doença crónica complexa em idade pediátrica é um acontecimento de vida traumático, com elevada intensidade emocional. Para uma resposta adequada às necessidades psicológicas e existenciais, a Terapia da Dignidade (TD) procura explorar vivências, reconstruir narrativas de sentido e preservar memórias, com impacto positivo no sofrimento emocional e existencial. Em Cuidados Paliativos Pediátricos (CPP), o potencial da TD by proxy junto de familiares de crianças e jovens incapazes de comunicar permanece pouco explorado em Portugal. O presente estudo visa desenvolver e adaptar um protocolo de intervenção inspirado na TD by proxy, adequado ao contexto dos CPP em Portugal. Será realizado um estudo exploratório descritivo, entre julho de 2025 e março de 2026, em seis etapas: (1) revisão narrativa da literatura; (2) recolha de contributos clínicos; (3) capacitação técnica das investigadoras; (4) desenvolvimento da versão preliminar do protocolo; (5) validação com painel de peritos e familiares; (6) ajuste e finalização. Este projeto procura colmatar uma lacuna significativa de intervenção e investigação em CPP, promovendo a preservação da dignidade, o bem-estar emocional das famílias e a reconstrução de sentido em contextos de fim de vida. A construção de um protocolo estruturado contribuirá para maior consistência e humanização da prática clínica.
Este estudo visa identificar as perceções, necessidades e expectativas dos/as psicólogos/as e psiquiatras portugueses/as relativamente ao uso de ferramentas digitais e de inteligência artificial (IA) no apoio à prática clínica em saúde mental. Através de um questionário online, serão recolhidas informações sobre as práticas atuais, dificuldades na gestão de registos clínicos, atitudes face à integração de soluções digitais e preocupações éticas. Os dados recolhidos permitirão caracterizar o perfil de utilização de tecnologias digitais nestas profissões e informar o desenvolvimento de soluções digitais adaptadas às reais necessidades dos/as profissionais. Pretende-se, assim, contribuir para o debate ético e técnico sobre a utilização de IA em saúde mental e para a promoção de práticas clínicas mais organizadas, seguras e baseadas em evidência.
O Fullsense é um programa de intervenção psicológica online inovador, criado por uma equipa de especialistas portugueses com ampla experiência em Sexologia Clínica, Terapia Sexual e Psicologia da Saúde. O objetivo central é promover o bem-estar e a saúde sexual de pessoas que enfrentam dificuldades nesta área, contribuindo para uma vivência mais satisfatória e positiva da sexualidade. O programa foi desenvolvido no âmbito de um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e visa avaliar a eficácia de uma intervenção baseada em evidência científica, aplicada a indivíduos que apresentam queixas sexuais associadas a sofrimento emocional (tais como baixo desejo, dificuldades de ereção, lubrificação ou orgasmo, ejaculação precoce ou dor sexual). Para além da plataforma digital interativa, o programa inclui apoio à distância prestado por psicólogas/os clínicos especializados, garantindo acompanhamento profissional e ético em todas as fases do processo terapêutico.
Questionário aqui.
O UNI_R é um projeto de investigação-ação que procura compreender como os/as estudantes vivem o seu percurso no Ensino Superior (ES) e o que, na sua perspetiva, promove (ou dificulta) o bem-estar e a saúde mental ao longo da experiência académica. Para isso, é utilizado o Questionário de Bem-Estar no Ensino Superior e são integrados métodos quantitativos e qualitativos para aprofundar necessidades, experiências e recomendações. Espera-se mapear perspetivas diversas sobre a vivência académica; apoiar o desenvolvimento de autonomia e bem-estar através de participação ativa; e informar práticas e iniciativas replicáveis que reforcem a saúde mental no ensino superior em Portugal.
Se é estudante do ES, pode participar aqui.
RESULTADOS DE PROJECTOS
Margarida G. de Matos, Tânia Gaspar, Cátia Branquinho, Bárbara Moraes & Teresa Paiva
O presente estudo avaliou a Saúde Global da população (N= 7545) ao longo de quatro momentos da pandemia. Foi possível concluir que comparando o ano 2020, o período inicial da pandemia, com o ano 2021, houve um agravamento dos sintomas de depressão, ansiedade, irritabilidade, preocupação, bem como uma maior adopção de estilos de vida menos saudáveis. Nas conclusões, recomendam-se medidas como activação comportamental e a adopção de comportamentos pró-saúde para melhor adaptação às novas circunstâncias.
Sofia Oliveira, Magda S. Roberto, Ana M. Veiga-Simão & Alexandra Marques-Pinto
Este estudo serviu para validar a Bateria de Avaliação de Competências Sociais e Emocionais de Adultos. Este é o primeiro instrumento teoricamente fundamentado, culturalmente adaptado e validado para a população adulta portuguesa, que permite, de forma parcimoniosa e com baixo custo-efectividade, avaliar os cinco domínios de Competências Sociais e Emocionais (i.e., autorregulação, autoconhecimento, consciência social, gestão dos relacionamentos e tomada de decisão responsável).
Artigo completo aqui.
Sofia Oliveira e colaboradores
Esta investigação consistiu no desenvolvimento e avaliação do programa de intervenção A+, uma intervenção portuguesa, universal e online, desenhada para professores, teórica e empiricamente fundamentada, que abrange os cinco domínios de Competências Sociais e Emocionais (CSE), e cujo desenvolvimento, implementação e avaliação considerou variáveis individuais e socio-contextuais. Os resultados do estudo demonstram a eficácia do programa A+ na promoção de CSE, da Saúde Ocupacional e do Clima Organizacional.
Meta-análise sobre CSE | Meta-análise sobre CSE e Burnout em professores | Instrumento de Avaliação do Clima Organizacional | Estudo quase-experimental do programa A+
Paula I. G. dos Santos & Marta S. Coelho
Esta investigação avaliou a utilidade de uma agenda terapêutica desenvolvida para idosos e idosas. Dos resultados do estudo sobressai a redução dos níveis de depressão e melhorias em diferentes indicadores de qualidade de vida (e.g., dor, vitalidade, desempenho emocional). Numa análise mais qualitativa, os inquiridos revelaram que a ferramenta foi uma oportunidade para desenvolver o auto-conhecimento.
Artigo completo aqui.
Marta Pereira & Ana M. Gomes
A presente investigação quantitativa e transversal analisou a qualidade do sono, o autocuidado e a autocompaixão em 124 psicólogos clínicos e psicoterapeutas membros efectivos da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). A amostra incluiu profissionais de ambos os sexos, entre 24 e 64 anos. A análise dos dados demonstrou uma baixa qualidade do sono, níveis de autocuidado superiores à média e, por fim, níveis de autocompaixão moderados a elevados. Ainda, encontraram-se associações significativas entre autocompaixão e qualidade do sono, e entre autocompaixão e quatro dimensões do autocuidado. Esta análise revelou a existência de associações positivas entre diversas variáveis sociodemográficas e a autocompaixão, nomeadamente as habilitações literárias, equilíbrio diário e estratégias cognitivas de autocuidado e a autocompaixão. Noutro sentido, identificou-se uma associação negativa entre a carga horária semanal e o equilíbrio diário. Por fim, os participantes relataram aumento da carga laboral e horária desde o início da pandemia.
Maria Inês Clara, Kevin Stein, Maria Cristina Canavarro & Ana Allen Gomes
A fadiga é uma experiência individual e subjectiva, pelo que deve ser avaliada através de medidas de auto-relato. Traduzimos e adaptámos uma medida internacional usada na avaliação da fadiga (o Multidimensional Fatigue Symptom Inventory–Short-Form, ou MFSI-SF) para português-europeu e avaliámos as propriedades psicométricas da versão portuguesa. O Inventário Multidimensional de Sintomas de Fadiga-Forma Reduzida (IMSF-FR) revelou-se um instrumento válido e fiável para avaliar a fadiga em portugueses saudáveis, com doença oncológica ou outra doença crónica. O IMSF-FR conseguiu ainda predizer a capacidade funcional dos doentes oncológicos. Até à data, trata-se do único instrumento aferido no nosso país para avaliação da fadiga associada ao cancro. Ao permitir uma caracterização relativamente breve, mas integrada e compreensiva da fadiga (i.e., mental, física, emocional e geral), o IMSF-FR pode ser muito útil para investigadores e profissionais de saúde – incluindo para screening da intensidade, padrões de sintomas e impacto funcional da fadiga, ou para avaliar a eficácia de intervenções com o objectivo de reduzir a fadiga. Este estudo, que contou com a colaboração do Centro Hospitalar do Médio Tejo e a medida AISP da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Artigo completo aqui.
Ângela Romão & Isabel Correia
O presente estudo teve como objectivo analisar o impacto de diversos factores psicossociais relacionados ao trabalho na saúde e bem-estar dos cuidadores informais portugueses durante a pandemia de COVID-19. Para isso, foi utilizada a versão portuguesa do Copenhagen Psychosocial Questionnaire II (COPSOQ II), um dos métodos de avaliação de risco psicossocial mais utilizados em contextos formais de trabalho. Os resultados revelaram que os cuidadores informais portugueses estão expostos a um ambiente de trabalho altamente exigente, combinado com uma exposição limitada a factores de protecção. Além disso, quando considerados em conjunto, apenas alguns factores psicossociais tiveram um impacto significativo na sua saúde e bem-estar: as exigências do trabalho como factores de risco; e a previsibilidade, transparência do papel laboral e uma relação de confiança com o Estado Português como factores de protecção. Acreditamos que este estudo tem o potencial de aumentar a compreensão da realidade dos cuidadores informais portugueses e, consequentemente, informar práticas e políticas para prevenir factores de risco, reforçar factores de protecção e promover a saúde e bem-estar destes cuidadores, garantindo a qualidade dos cuidados que prestam.
Ângela Romão & Isabel Correia
A presente investigação analisou o papel da desumanização dos cuidadores informais e da Crença no Mundo Justo (CMJ) dos observadores como possíveis mecanismos defensivos que legitimam a situação desfavorecida em que os cuidadores informais se encontram. Através de dois estudos experimentais online, concluiu-se que os cuidadores informais foram desumanizados em comparação aos não-cuidadores, uma vez que lhes foram negados traços exclusivamente humanos. Este fenómeno foi especialmente observado entre os participantes com uma maior CMJ. Os resultados mostraram ainda que a desumanização dos cuidadores informais actuou como um processo subjacente na relação entre a CMJ dos participantes e a minimização percebida do sofrimento dos cuidadores informais. Esta investigação contribui para uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes à falta de reconhecimento social dos cuidadores informais e fornece informações valiosas sobre potenciais estratégias de intervenção para melhorar a sua situação.
Paula I. G. dos Santos, Beatriz Saraiva, Marta Coelho, Edgar Mesquita
Esta investigação envolveu 60 casais e usou questionários e entrevistas para explorar a utilidade e efeito da ferramenta “Bloco de Notas Terapêutico para Casais” na satisfação conjugal. Os resultados parecem apontar para melhorias na satisfação e bem-estar dos casais, sugerindo que a ferramenta em estudo pode ser útil na intervenção psicológica junto de casais.
Paula Isabel Gonçalves dos Santos
Antecedentes: Fatores como diversão, liberdade, prazer, satisfação, autocrescimento e felicidade são promotores de uma boa saúde mental. O indivíduo procura, de forma constante, fomentar o seu autocrescimento e, consequentemente, promover a sua felicidade. Objetivos: Este estudo teve como objetivo explorar a utilidade clínica de uma ferramenta terapêutica, apelidada de “Mapa das Emoções e Conquistas”, desenvolvida de raiz pela autora correspondente, abordando os conceitos de autocrescimento e felicidade, bem como a possibilidade inerente ao ser humano de se superar, mudar e crescer. Métodos: A uma amostra de 110 indivíduos, com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos (M = 41.33; DP = 15.32), foi aplicado um questionário sociodemográfico, o instrumento “Échelle de Mesure des Manifestations du Bien-Être Psychologique” e uma entrevista semiestruturada, com o intuito de compreender a utilidade clínica do Mapa das Emoções e Conquistas. Resultados: Os resultados demonstram claramente que a ferramenta é benéfica e clinicamente eficaz, uma vez que as pontuações obtidas, no segundo momento de avaliação (após uso da ferramenta), foram superiores ao primeiro momento, independentemente do género e idade do participante. Discussão: Foram encontrados resultados promissores ao nível da saúde mental, o que dá ênfase à importância dos conceitos de autocrescimento e felicidade. Os dados apresentados apontam que esta técnica é eficiente na consolidação da relação terapêutica e no autocrescimento.
Maria Inês Clara e colaboradores
A insónia afeta mais de metade de todas as pessoas diagnosticadas com cancro. Quando não é tratada, pode ter consequências para a saúde e para a qualidade de vida. A primeira linha de tratamento para a insónia é a Terapia Cognitivo-Comportamental da Insónia. Este projeto avaliou a eficácia e aceitabilidade do programa OncoSleep, uma intervenção psicológica digital para tratar a insónia destinada a sobreviventes de cancro. O OncoSleep é um programa totalmente online de Terapia Cognitivo-Comportamental para a insónia, organizado em seis módulos interativos.
O ensaio clínico (N=154) revelou que o OncoSleep foi eficaz a reduzir os sintomas de insónia, a diminuir o tempo para adormecer e os despertares noturnos, e a aumentar a duração de sono. As melhorias no sono traduziram-se na redução de sintomas de depressão e ansiedade e na melhoria da qualidade de vida física e psicológica das pessoas que receberam o programa. A maioria das pessoas revelou estar bastante satisfeita com esta intervenção psicológica digital.
Web-based cognitive-behavioral therapy for insomnia in cancer survivors: The OncoSleep randomized trial / Cancer survivors’ acceptability and perspectives on engagement with digital cognitive-behavioral therapy for insomnia: a mixed methods perspective
Mariana Casanova e colaboradores
O projeto Exploring Green Guidance, representado em Portugal pelo Centro de Investigação e Inovação em Educação (inED) da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, reúne organizações europeias com o objetivo de produzir avanços teóricos e práticos que enfatizam a sustentabilidade ambiental e a justiça social no desenvolvimento de carreira.
Após uma revisão de políticas Europeias e uma revisão da literatura focada em desenvolvimentos teóricos e práticos de Green Guidance, os profissionais do desenvolvimento de carreira Europeus foram auscultados para explorar a sua abertura ao tema e identificar as necessidades para a prática. A partir deste trabalho, profissionais dos países envolvidos no projeto envolveram-se para desenvolver ferramentas e metodologias práticas.
O projeto culminou com a formação dos embaixadores Green Guidance em todos os países parceiros. Em Portugal cerca de 20 psicólogos concluíram a formação “Green Guidance: intervenção psicológica para o desenvolvimento vocacional e de carreira com base na Justiça Social”, que integrou contributos de autores como Plant, Guichard, Arendt, Prilleltensky, Hooley e Dimsits.
Todos os resultados do projeto são de livre acesso, incluindo os recém-lançados “Exploring Green Guidance: A handbook for practitioners” e uma Toolbox de atividades pretendem promover uma abordagem reflexiva, ética e crítica que considera dimensões ambientais, mas também sociais, económicas e políticas.
Mais informações e recursos disponíveis em www.green-guidance.eu
Alice Morgado, Andreia Cristina e Isabel Gil
Nalgum momento da vida, a maioria da população será exposta a Eventos Potencialmente Traumáticos (EPT), ou seja, eventos extremos (catástrofes, acidentes graves) ou experiências normativas (luto, doença) que podem desencadear crise psicológica com impacto na qualidade de vida. Considerando que apenas uma minoria da população desenvolve psicopatologia (amplamente estudada), este projeto adota uma abordagem desenvolvimental e positiva, focada no impacto subjetivo dos EPT e na qualidade de vida ao invés de sintomatologia clínica.
Foi desenvolvida, junto da população adulta, uma medida psicométrica robusta para avaliar o impacto subjetivo (em termos de Perdas e Suporte) de diferentes EPT. Neste estudo preliminar, 65% da amostra reportou exposição a EPT. A mesma medida testada em adolescentes revelou que 43% já tinham sido expostos, mas com menos impacto ao nível das perdas do que os adultos. Entre estudantes de enfermagem, 65% tinham sido expostos e apresentavam pior qualidade de vida. A última fase do estudo analisará de forma mais robusta a exposição e o impacto de EPT em diferentes estádios de desenvolvimento.
Na prática, estes resultados sugerem a importância de modelos de avaliação centrados no impacto subjetivo, e da implementação de redes de suporte coerentes e integradas, que articulem respostas formais e informais.
Trauma Exposure Checklist: Preliminary results show promising psychometric properties to assess subjective perceptions of exposure to potentially traumatic events / Potentially traumatic experiences in higher education: A study with nursing students. Teaching and Learning in Nursing
Jorge Encantado e colaboradores
Dois estudos recentes avaliaram as atitudes de psiquiatras e psicólogos portugueses relativamente ao uso clínico de cetamina, psilocibina e MDMA no tratamento de perturbações psiquiátricas.
Os resultados revelam uma abertura considerável: 59% dos profissionais mostraram-se recetivos à integração clínica da cetamina, 64% à psilocibina e 59% ao MDMA. Contudo, identificaram-se lacunas significativas no conhecimento — apenas 36% reportaram conhecimento substancial sobre a cetamina, 41% sobre a psilocibina e 27% sobre o MDMA.
A grande maioria dos participantes manifestou interesse em formação especializada (mais de 80%), sendo a escassez de profissionais qualificados a principal preocupação identificada (73%). Os psiquiatras demonstraram níveis superiores de conhecimento e abertura comparativamente aos psicólogos, enquanto os profissionais mais jovens revelaram maior interesse na formação. Profissionais com experiência pessoal prévia com psicadélicos reportaram atitudes mais positivas e maior conhecimento.
Estas conclusões sublinham a necessidade urgente de programas de formação específicos que preparem os profissionais de saúde mental para a integração das substâncias psicadélicas na prática clínica. De acordo com os resultados, estes programas devem considerar diferenças de género, idade e área profissional. O desenvolvimento de protocolos terapêuticos padronizados e a investigação sobre resultados a longo prazo poderão ajudar a integração segura e eficaz destas abordagens na prática clínica portuguesa.
Artigo completo aqui.
Nuno Tomaz e colaboradores
Este projeto avaliou a eficácia de uma intervenção psicoterapêutica em grupo, composta por 9 sessões semanais, na facilitação do crescimento pós-traumático (CPT) e na redução do estigma em adultos com VIH. A investigação contou com 42 participantes seropositivos (M = 46,26 anos) e utilizou um desenho quasi-experimental com grupos experimental e de controlo. Os resultados evidenciaram um aumento significativo no CPT e uma redução do estigma em todos os domínios e subescalas, incluindo a autoimagem negativa. Estes indicadores destacam a importância de intervenções que abordem simultaneamente o CPT e o estigma, informando as práticas para Psicólogos/as e outros/as profissionais que trabalham com esta população.
Artigo completo aqui.
Pedro Ferreira
Este estudo longitudinal analisou o impacto da pandemia Covid-19 na saúde mental da população portuguesa em três momentos distintos: antes da pandemia (2018), durante a pandemia (2020) e pós-pandemia (2023). Os resultados demonstraram uma redução significativa nos níveis de bem-estar ao longo do tempo, independentemente do género ou da idade, indicando o impacto persistente da pandemia na saúde mental. Estes dados sublinham a necessidade de desenvolver estratégias para promover o bem-estar psicológico na população.